Neste pequeno artigo encontrará informações relacionadas à História da Orientação Vocacional e/ou profissional.

A orientação profissional ou vocacional “consiste em uma prática que visa auxiliar o indivíduo no momento de escolha em relação ao seu futuro, bem como promover o autoconhecimento, buscando que o jovem adquira a habilidade de tomar decisões melhores, através da reflexão e reconhecimento dos aspectos envolvidos” (Oliveira, Janacievicz & Pacheco).
Frank Parsons é considerado na literatura internacional “o pai da orientação vocacional, profissional e de carreira, em função de seu pioneirismo na sistematização teórico-técnica dos primeiros trabalhos da área realizados em Boston nos Estados Unidos” (Zytowski, 1972 citado por Ribeiro e Uvaldo, 2007).
“A origem da orientação profissional deu-se no contexto socioeconômico da Terceira Revolução Industrial, onde, com a ascensão da produção industrial, eram necessários trabalhadores assalariados que estivessem aptos a realizar o serviço laboral repetitivo e em massa, sendo submetidos a testes e avaliações para determinar se poderiam se adequar ao trabalho” (Lassance e Sparta, 2004 citado por Oliveira, Janacievicz & Pacheco).
Para Oliveira, Janacievicz e Pacheco (2018) ainda que o adolescente já tenha realizado uma escolha sobre as bases sobre as quais assentam os estudos podem não ser assim tão seguras, quer se trate da futura profissão, quer se trate de outros aspectos da vida do sujeito.
Os autores supracitados acrescentam que o propósito do processo de orientação profissional é que as escolhas profissionais estejam adequadas ao indivíduo orientado, a partir do conhecimento que tem si, das suas condições, gostos, do que pretende-se ser embasado no projeto de vida.
“Nos países industrializados, as profissões ligadas à consulta em orientação surgiram no início do século XX. A orientação era nesse tempo uma actividade assente numa investigação de natureza psicológica e visava apoiar a transição da escola para o trabalho. O modelo que dominava era o da conciliação sujeito-profissão baseada essencialmente nas aptidões dos jovens.” (Guichard e Huteau, 2002)
“Neste contexto, o prático era um especialista psicotécnico que se propunha convencer o consultante dos bons fundamentos dos seus conselhos. É assim que na obra de Frank Parsons “Choosing a Vocation”, de 1909, encontramos textos ligados à arte de persuadir o jovem quanto à justeza das conclusões da consulta de orientação.” (Guichard e Huteau, 2002)
Com Guichard e Huteau (2002) podemos perceber que hoje em dia muitas são as práticas usadas em Orientação vocacional, tendo se alterado muitos aspectos. Os autores continuam afirmando que, primeiro porque já não se limita à um momento único de orientação, ela acontece ao longo de toda a vida, as especificidades da contemporaneidade, ela também está presente quando existem momentos de transição. Segundo porque, e como nos ensina Super, não se trata de uma orientação que se circunscreve a um único papel desempenhado pelo sujeito. Terceiro porque não se trata de uma orientação sexista, no sentido de se focar simplesmente em jovens do sexo masculino de famílias abastadas. Em quarto lugar porque aqui já se trata de convencer o jovem sobre uma profissão, mas de permitir ou facilitar a percepção das suas potencialidades e a criação de estratégias para garantir o sucesso do sujeito.
No que diz respeito ao seu percurso, Guichard e Huteau (2002) salientam que as primeiras teorias relacionadas à orientação vocacional na França ignoraram o facto de poderem haver conflitos entre os interesses individuais e os interesses colectivos. Assim, e como escreve Binet, “a orientação profissional devia contribuir para a construção de uma sociedade onde cada um trabalharia segundo as suas aptidões reconhecidas de maneira a que nenhuma parcela de força física fosse perdida para a sociedade”. Nesta visão de Binet, não só se ignora o referido anteriormente, como também se percebe que os indivíduos estão a serviço da sociedade, o que num mundo onde se quer que haja sociedade de indivíduos, parece estar um pouco à esquecer. Isto difere dos pensamentos de Parsons, que privilegia o indivíduo em suas afirmações.
Podemos ainda ler em Guichard e Huteau (2002) que para além de Parsons, muitos outros autores contribuiram para compreendermos como compreendemos a Orientação Vocacional hoje. Nomes como Ginzberg, Donald Super e John Holland, Albert Bandura e Carl Rogers também são destacados.
Rogers no domínio da prática, afirmam Guichard e Huteau (2002), pode ser considerado como um dos autores que mais influenciou os processos relacionados à orientação vocacional. Assim a ideia de que o psicólogo orientador não deverá dar resposta e indicar a solução, mas sim de permitir que o cliente descubra o que se passa consigo mesmo. Assim, o sujeito desempenha um papel activo no processo de orientação, e o orientar é mesmo guia o processo, sem tentar persuadir o sujeito da mestria dos seus conselhos.
Os autores supracitados continuam afirmando que Albert Bandura com a noção de sentimento de competência foi uma das teorias que mais nos deixou de queixo caído, dada a sua riqueza, aquando da nossa pesquisa bibliográfica. Este autor postula que o sentimento de competência designa as crenças dos indivíduos quanto às suas capacidades de realizar performances particulares. Este sentimento contribui para determinar as escolhas de actividades e de meio ambiente, o investimento do sujeito na procura dos objectivos que a si mesmo fixou, a persistência do seu esforço e as reacções emocionais que o atingem quando encontra obstáculos.
Por seu lado Guichard e Huteau (2002) entendem que John Holland, apesar das inúmeras críticas que sofreu algum tempo depois, em especial ao facto de não se tratar exactamente de uma teoria da personalidade mas dos interesses profissionais, este autor afirma que as nossas escolhas são manifestações das nossas personalidade, identificando tipos de personalidade bem como tipos de ambientes de trabalho. Assim, podemos ver que existem 6 tipos de personalidades de Holland, nomeadamente: Realista, intelectual, artístico, social, empreendedor e convencional.
Para Guichard e Huteau (2002) Super afirma que um indivíduo desempenha diferentes papéis durante a sua vida em simultâneo, embora certos papéis são centrais enquanto outros são periféricos. Os papéis são: criança, estudante, homem ou mulher nos tempos livres, trabalhador, cidadão e pai ou mãe de família, sendo que os papéis não são estáticos e têm maior ou menor relevância consoante o impacto. Este autor aponta ainda que existem cinco etapas do ciclo de vida. São estas a de crescimento (infância), exploração (adolescência) estabelecimento (jovem adulto) manutenção (adulto) e o descompromisso (a velhice).
No que diz respeito a Ginzberg e os seus colaboradores, citados por Guichard e Huteau (2002) salientam que, focado inicialmente numa teoria geral da opção profissional empiricamente fundamentada, apesar das críticas sofridas um ganho notável e inegável dos seus estudos assenta no facto de que à medida que as pessoas avançam na idade têm cada vez mais em conta os aspectos ou factores de realidade na formação das suas intenções de futuro. Ou seja, quanto mais velhas as pessoas são, mais ênfase dão aos factores externos para tomarem as suas decisões sobre o futuro, incluindo o trabalho ou emprego.

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